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Leia um Texto
2011

No assento 5, tremia de medo no jato que cruzava o Bósforo e o Dardanelos, no vôo 5555. Nunca antes provara a força mística de nomes como naqueles momentos, sobre o mar Negro, rumo ao mar Morto. Remoía, aliás desde menino, a crença de que o número 5 associa-se à escuridão e à morte. O dia era 5 de 5. No relógio de pulso, cinco da tarde. Na mente, a idéia fixa de que o pentágono era geometricamente menos equilibrado do que o quadrado ou o hexágono.

Embora relutasse que ingressara na quintessência de um conto de terror, pois o avião balançava bastante no céu límpido, ouvi pelo som da cabina de passageiros: “afivelem os cintos pois a turbulência é seca e longa”, na voz do comandante PentaFive.

A temperatura externa: menos 55 graus Celsius. A prevista na chegada: mais 5 graus… Pálido? Suava empapado de horror quando a aeromoça – fada ou bruxa? – leitora de alma, subitamente me disse: “O cinco contém o UM, o Um eterno, onipresente e único!” Então comecei a escrever.