Irineu


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2011

Irineu certificou-se de que a trapezista Gerusa rosnava em sono profundo. Deixou a cama de mansinho. Vestiu a camisa com a qual trabalhava durante o dia, para disfarçar o banho de imersão onde as carícias com ela se iniciavam. Sem acender luz alguma, guiou-se até o banheiro no qual, apalpando, encontrou sobre a pia uma toalhinha.

Passou-a diversas vezes no pau para retirar vestígios do intercurso. Sorrateiro rumou apressado para casa, antes que os galos cantassem.

Sua esposa dormia atravessada em diagonal na mesma cama de anos. Com sucesso, Irineu, sem luz, despiu-se na sala e depositou silencioso meias e sapatos, nos lugares apropriados para o dia seguinte. Entrou leve no leito, evitando rangidos de madeira velha. Bingo! E adormeceu pelado, calorento.

Antes do despertador tocar, ouviu sinceras risadas da mulher. Abriu os olhos com uma réstia de sol em sua testa:

— Irineu, porque você ornou o pinto com purpurina?


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